cremaster cycle no brasil

É... quando publiquei esse post anterior aí, do namoradinho da Björk, o artista plástico Matthew Barney, nem imaginava que um dia seria exibido seu projeto por aqui. Enfim, dia 23 deste mês, será lançado na Pinacoteca do Estado (SP) seu novo projeto: “Da Lama Lâmina”, ainda inédito. Alfons Hug, curador da Bienal, tentou viabilizar o projeto pro evento; tentativa malograda por questões técnicas, ou seja, seria impossível instalar o trator de quatro toneladas que Barney inclusive utilizou no carnaval baiano, quando aqui esteve com a Björk.
Além deste trabalho, o “Cremaster Cycle”, talvez sua obra máxima, também será apresentado na Pinacoteca.


 

cremaster cycle



Cremaster Cycle (1994-2003) é um ambicioso projeto cinematográfico do artista plástico Matthew Barney, dividido em cinco partes. Tem o link pro site oficial, aqui no cuco machine.





Cremaster é o músculo que realiza o movimento e a tensão nos testículos. Repleto de referências simbólicas, o ciclo de filmes de Barney (que duram desde 40 minutos a 3 horas) é comparado à fase “jovem” do David Lynch, Kubrick, Cronenberg, Cocteau, “un chien andalou” do Buñuel e às preocupações cenográficas barrocas de Peter Greenaway (principalmente o terrivelmente belo “bebê santo de macon”).

“bebê santo de macon”

Trata-se de uma jogada transdisciplinar. Referências à mitologia celta, faunos, maçonaria, fisiologia médica, rituais de sacrifício, body art e ópera. Ópera com uma rainha de luto interpretada pela bond girl Ursual Andress, que já foi fotografada por Helmut Newton e Joel-Peter Witkin.






 

björk - “medulla”


CD novo.
Dentre as participações especiais, e.e.cummings (!) e Mike Patton, do extinto Faith no More.


 

Oxímoro

ou Epilepsia Xamânica

No banheiro (unissex) do bar do Muhamed três vultos abordam Abigail na privada. O Erotômano, Onã e o Bofe. Ela tenta fitá-los, mas vultos são arredios e permanecem sempre ao canto do nosso foco de visão:

O EROTÔMANO: é tudo o que a Grande Mãe precisava... uma garota de bexiga cheia. Precisamos amarrar as trompas, também. Conter outros fluxos infames.

ABIGAIL: Que porra é essa? N...

ONÃ: Abra as pernas... preciso despejar minhas sementes.

ABIGAIL: Sai fora! O caralho que você vai esporrear dentro de mim! Me larga, puto!...

ONÃ: Idiota! Um onanista jamais dá fins produtivos ao sêmen. Tudo deverá ser desperdiçado, gota por gota, semente por semente. Disse pra você abrir as pernas para que eu despeje minha porra na privada, imbecil! Anda, abra, antes que eu goze na tua cara!

O BOFE: Eu seguro as pernas da vaca, enquanto você despeja no vaso. Hum... abre... assim, baby (Passa a língua no pescoço de Abigail, e apaga o charuto na sua virilha).

ABIGAIL: Aaai desgraçadofilhodaputa!

(Onã lança jorros prateados, numa indelicada ereção, em pulsações contínuas uma, duas, três, sete jorradas e o fastio vem numa queda e a seguir o desaparecimento, na brisa desenterrada da nuca de Abigail)

O EROTÔMANO: Michel entrará em iniciação hoje. Cuida dele, Biga. (Some)

O BOFE, dando descarga e pegando abigail pelos cabelos da nuca: Olha lá! No cu do redemoinho, Abigail. Tá vendo o que o oráculo diz? Certas “coisas” voltam. Cuide-se, darling.

Na mesa do bar, Michel já está bêbado, virando mais uma vodka (a dos pigmeus siameses). Passa mal. Corre ao banheiro. Não vê Abigail saindo, atordoada. Que idem.
Michel vomita nos vasos presos à parede, como de costume. Sente o ventre inchar e arrebentar-lhe estrias. Tenta olhar-se no espelho, mas sua visão escurece. Cãibras sem fôlego em cada músculo do corpo. Olhos revirados. A língua indócil. As rótulas dos joelhos escorregam para trás, seu tendão de aquiles se estende às nádegas, os pés torcem, os cotovelos retorcem, a urina jorra do irreconhecível pau; cai no chão. Os olhos são expulsos por dois chifres negros, enormes, saindo das órbitas. Os ossos da pélvis abrem-se em duas asas expostas. Michel sente o ventre prestes a abrir, num lábio intumescido. Mete a bunda no vaso, à parede. Grita. A Fenda Uretral reabre, ali, no ventre do pênis, se estendendo pelo escroto quase até o ânus, aquele rastro de pele mais escura, cicatriz do estágio indiferenciado da formação genital, nos fetos. Som de líquido espesso e nacos de carne. Uma bolsa translúcida revela deus natimorto, num movimento silenciado. Uma coisa com pelos grossos e negros; dentinhos no alto da cabeça, no maxilar e nas pálpebras. Isso era o que de mais humano, havia. O resto, inominável. Afinal, não é como as “coisas” devem ser?
Nada mais será sacrificado como Souvernir de Sangue a deus algum. Mas o inverso. Deus será sacrificado para que os cães e os desejos possam latir mais alto.
Michel vibra em mil sinos, órgãos e catedrais em ruínas sonoras; nem sinfonia nem simetria barroca, nem claro nem escuro nas dobras. A iluminação veio, explosiva. É o que alguns dizem.

ABIGAIL entra no banheiro: Que cê tá fazend... Michel! (enfia o dedo na boca do amigo e puxa a língua, enrolada, pra fora). Cara, que foi?

MICHEL: Pari um natimorto. Deus natimorto. Bem que você poderia fazer o mesmo, com a raça humana, não? (risos). Vem, Biga... me ajuda a levantar... tô 100% já... vomitei, e tal.

ABIGAIL: Cara... vi umas coisas estranhas (passa a mão na virilha)... tem pó ainda? Só pra mim, você não pode mais, hoje. Tô preocupada. (retira do dedo de Michel o anel, contendo a droga)

MICHEL: Muhamed? (Longo silêncio) Vê um... martini seco. A garrafa com os testículos de búfalo. Ah, e... ovários de porca, daquela outra garrafa ali.


 

fauna flora e cia.


(Michel e Abigail mascarados de Bukowski e uma grande amiga)

No bar do coletor de espécimes raras, as prateleiras no alto exibem um bestiário numeroso de bichos enfiados em garrafas de cachaça tequila absinto vodka martini conhaque brandy bláblá. Garrafas aprisionando caranguejos albinos rabinhos elétricos de lagartixa gatos lontras libélulas crisântemos papoulas tulipas moréias toupeiras pigmeus siameses escaravelhos morcegos escargots e afins. Mas é assim que a embriaguez se faz, aqui; o paladar encontra o álcool fermentado num bestiário a colocar em metamorfose o mais patético dos clientes. É lá que os anônimos as putas os michês as travecas aprendem a rir e a dançar. É onde Abigail e Michel estão, agora, num tempo e num espaço dobrados, origâmicos, num papinho à toa:

MICHEL: Biga, olha só: “Quarta, 4 de junho: J'aime ces types vicieux, qu'ici montrent la bite. 'Gosto dos tipos sacanas que mostram o pau aqui'. Anônimo, num mictório de Paris.” O Burroughs escreveu isso no diário dele. Não é demais?

ABIGAIL, depois de uma longa tragada na narguilé: Ah, dizem que esse Burroughs fez até propagandinha de TV, não segurou a onda de “under”. Bom, pelo menos tomava e picava todas. Tinha algo a dizer. Dá um cigarro? Cansei de fumar essa merda.

MICHEL, acendendo o cigarro da amiga: E você e a Maíra? Andam se falando?

ABIGAIL: Sim... por quê?

MICHEL: Ah, você vivia falando dela, com um puta entisiasmo... de repente mudou, nessas últimas semanas.

ABIGAIL: Ah, estou com uns problemas lá em casa, com minha mãe. Cabeça cheia.

MICHEL: Mas ela tá bem?

ABIGAIL: Quem, minha mãe? Tá, tá. (longa pausa... dá um gole no martini seco). Acho que meu pai ainda incomoda ela, mesmo depois de morto. Fantasminhas, entende? Só acho que ela devia esquecer de vez, virar a página. Mas não sinto rancor nela, apesar de tudo. É que quando bebe em casa, parece que o ambiente doméstico a faz lembrar de coisas desagradáveis. Meu paizinho poderia ser só um bode expiatório.

MICHEL: Adoro su madre. Mas não cheguei a conhecer seu pai. Você me falou dele uma vez... era psicanalista, né?

ABIGAIL: Pois é, um chato. Pra cima da minha mãe, a violência dele era astuciosa, “civilizada”, em doses homeopáticas. Se achava O divã ambulante, onde as pessaos deveriam meter a bunda e falar. Cê já se confessou na igreja?

MICHEL, virando um campari: Porra, acredita que sim? Duas vezes. Falei que sempre tinha polução noturna. Mas omiti que batia punheta fantasiando que gozava nos olhos verdes da minha prima, que tinha uma clavícula linda. (olha para o copo) Arrgh. Cara, campari tem o mesmo gosto de quando você acaba de vomitar. Pura troço amargo! Seu Muhamed! Traz uma vodka! É, a garrafa com a lontra.

ABIGAIL: Então, meu pai achava que o mundo devia se confessar aos pés dele. Sei lá... puta síndrome de inferioridade mascarada. (risos) Olha eu também, metida a psicóloga! Ah, odeio essa raça. Então... daí minha mãe cansou de tudo aquilo, das “neuras” que ele falava que ela tinha, “porque de acordo com o Dr. Freud...” (engrossando a voz)... pfff... e pensar que eu já quis trepar com ele, na pré-adolescência!
Mamãe o degolou, arrancou sua língua e enfiou na “fase anal” dele. Vi o cadáver, e a linguinha ali, no rabo, parecendo um oxiúros de cabecinha vermelha.

MICHEL: (rindo) Ele chegou a te molestar?

ABIGAIL: Ah, de leve, acho que se sentiu culpado demais pra continuar. Na época, eu até queria. Vai ver porque não conhecia as pessoas do mundo aqui de fora, já que vivia trancada em casa. Tinha meus... 9 anos? Por aí. E ele me parecia o mais interessante, no meu mundinho, pra compartilhar dos meus desejos. Mas passou rápido. Meu número de bonecos e bonecas era enorme, grandes amigos.

MICHEL, tragando a narguilé: (pausa) Brindemos! Ao Sr. Muhamed! Ae! Cara, esses dias conheci uma garota com a boca mais suja - no sentido literal do termo - que meu pau. Porra, menina fétida! Abocanhou até o talo e me infectou com bactérias podres. To tratando.

ABIGAIL: Tratando...?

MICHEL: É, quando vou ao banheiro, sempre levo uma dose de cachaça junto, e derramo nas feridas. Deve adiantar alguma coisa. Eu acho.

ABIGAIL: Ih, to até vendo, suas 2 cabeças de ressaca, amanhã. Quem diria, hein Michel... esse rostinho bonitinho seu... escondendo um pau tão sujo (risos).
Falar em banheiro, vou lá e já volto. Não some hein.


 

groovebox!

“Vive la Fête”. Ótimo duo belga que tocou agora em Pernambuco. Eletro-rock bem animado.

Quem diria... impressionaram a biba Karl Lagerfeld (um fashion-boss aí), já tocaram em eventos de moda, anfã...
Recomendo as músicas “kl”, “noir désir”, “merde à l'amour”, “mon dieu”, “maquillage”, “adieu” e “tokyo”. Todas do álbum Nuit Blanche (lançado por aqui), com exceção da música “tokyo”, que é do Republique Populaire.
Site: www.vivelafete.net



 

Manual prático para bailarinos infames

O dançarino irá entoar o Canto da vinda da “Coisa” pelas axilas dos tentáculos; a voz será a de um castrati italiano.
Há ouvidos nos pés que deverão evocar o cardume de pítons emaranhadas.
O encantador de cobras: no bailarino, o ouvido no tornozelo sempre haverá de ter hemorragia; é o exato momento em que se elevará do solo ereções de serpentes cegas, febris.
Ele fará encomendas raras ao Boticário triturador de drogas do Oriente ressequido. A papoula estará à esquerda-menor do Zero que preenche o Ovo Oco. E que ele sacrifique os ossos em nome da pura cartilagem exposta, é sabido. Mas os músculos deverão estar carregados de eletricidade. Quase um atletismo metafísico, caso não fosse uma experiência tão sensual.
O bailarino aparentar-se-á a alcatéias em fuga (“fuga ao encontro de”); em nada se assemelhará à forma simétrica e bípede do Homem.
O pulmão jorrará uma procissão louca de infinitas hemaciazinhas emplumadas de sangue-em-pó, rumo às asas. A usina-pulmão será um curto-circuito direcionado às finíssimas asas, que batem a 897 vezes por segundo. O ruído será o de uma cortina sussurrando dobras labiais na zero hora de um domingo de mil toneladas de Jesuses medusados em estátuas de sal mausoléicas (rs...).
Pois o bailarino será também uma mosca decaída da virilha perfumada de Deus e já entediada com Belzebu. Por isso o dançarino tornar-se-á “santo para si mesmo”, desejo confesso por Baudelaire em “Meu coração à Nu”, seu diariozinho com Bombons do Mal, ou seja, grávidos de cerejas prontas a florir uma epidemia necessária.
Por fim, o bailarino escarificará as próprias asas em frenesi maquínico, para enlamear o mundo e ungir-se de Queda Bêbada Coreográfica.


 

Do poeta-dançarino

O bailarino derrama potência por onde percorre a clarividência calcada no mais profundo ermo.
O bailarino transborda um excesso que não suporta contorno de forma alguma. Daí o esgarçamento.
O bailarino sacrifica os ossos em nome da pura cartilagem. Só pode dançar em desequilíbrio, bêbado.
O bailarino convoca o Boticário, o triturador de drogas, e lhe faz encomendas raras.
É o instante da evanescência rara, posta à prova.
Toda beleza deverá ser violada, em nome de Rrose Sélavy.
Certas “coisas” voltam, em tempos de delírio coletivo. É o sinal de que uma violência singular está oferecendo-se como uma coreografia inevitável.


 

Ato único: “com o outuno na vulva”

Ou “CONTRA-FUROR UTERINO”

MAÍRA: Basta! Não posso ir além,... desculpe, Biga. Estou seca. Seca.
ABIGAIL: ... Eu... porra, Maíra, você and...
MAÍRA, interrompendo: Um sonho a noite passada. Me perturba e persiste em vigília. Um sonho pedófilo. Pode? Devo sentir-me culp...
ABIGAIL, interrompendo: - Não. É “só” um sonho. Que pode pesar mais que as horas aqui, despertas. Falo de seus desejos. Mas não... Maíra, esquece o remorso.
(Se abraçam. Maíra beija o lóbulo da amiga, e sussurra)
MAÍRA: Eu... no sonho, tá?... encontrei a criança sedutora numa farmácia abandonada, vazia. Branquíssima, hiper-iluminada. À cegueira. Peguei algumas anfetaminas, enfiei no bolso, tomei duas, dei um gole na cerveja e... a criança, que estava num corredor muito ao longe, agora fazia presença ao lado do meu quadril. Uma harpia. Meio besta, meio gente. As metades oscilavam. Era de uma indizível beleza. Nos tocávamos. Uma transa rara. Eu não reconhecia mais meu corpo. Nem onde terminava o dela e começava o meu.
(Toca o telefone)
MAÍRA: Oi...? OI!... Alô! Ah, oi, Dafne! Como você tá? Peraí... ela tá aqui, sim.
(Sussurra para Abigail, tapando com a palma da mão o telefone): Ela não parece muito legal... a voz perturbada, e... enfim, fale com ela.
ABIGAIL: Oi Mãe! Tsc... desligou! Deve ser um daqueles dias graves. Bom... nada grave. Mas vou pra casa, de qualquer forma. Talvez ela me queira por perto, mesmo sem querer que eu interfira em suas loucuras. Minha mãe age estranhamente, às vezes... mas o curioso é que em determinados períodos, sabe? Quase uma vez por ano, algo assim. Peculiar, não?
(Longo silêncio... se beijam.)


 

Nightclubbing...



“PARTY MONSTER”:

Macaulay Culkin, Chloe Sevigny e “cia. freak” numa divertida história sobre a vida noturna das festas em clubs, cabines de caminhão (dark room ambulante com Marilyn Manson como motorista), dentre outros lugares inusitados. Tudo é submetido a uma irrefreável vontade de celebrar o excesso. Tanto que é citada a famosa frase do Blake: “O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria”.
Uma pena que tudo vá ficando + sério no desenrolar da metade para o final. Aquela velha dicussão sobre os limites do corpo em relação às drogas, o vício, a necessidade de um estágio de abstinência, etc. Aí uma atmosfera de “réquiem” inoportuno parece baixar sobre a embriaguez. Uma bad trip.
Bom filme pra se ver como “pano de fundo” naquelas reuniões de desmesura entre seus + queridos amigos.
Because “the show must go on”.



 

ato I e único. o ritual anual


...ou RITUAL DE LO HABITUAL:

DAFNE (bêbada, com um ferro de passar roupa na mão direita, quentíssimo; hoje é aniversário de morte do marido. Retira um enorme naco de carne bovina do congelador, deposita sobre a pia de alumínio, e começa a “passar carne”):
-Ah, seu puto! Se eu pudesse voltar no tempo e fatiar-lhe o pau e o resto, novamente! Inveja do pênis? O caralho! Por que nunca dizem “inveja do útero”, ou das “mamas”? Quê? É hora grave, agora. Retiro tuas dobras para que me revele o impossível, puto!

(Muita fumaça e forte odor de carne frita. Dafne ritualiza um re-assassínio de seu marido, anualmente. Agora é o cimo das horas).

ABIGAIL, a filha (desperta do sono): - Mãe! Louca! Que fazes a passar carne? Que falta de tino é esse, mulher?
Dá-me esse ferro, já!

DAFNE: - Volta! ... não interfira! Anda, anda!

(Enterra a carne de volta no congelador, no branco de gelo, o “marido” representado. Sentia a carne estremecer, sob suas mãos vermelhas. Assim como a espasmo da sua pálpebra inferior. Seu sorriso indócil farfalhava e levantava vôo. Em silêncio. Toma uma orquídea entre dois dedos, ao lado da geladeira).

A ORQUÍDEA, falando através da glote de um pequenino escaravelho, pousado no seu centro: - Por que ainda te perturba isso tudo? Não é hora de esquecer, Dafne? Lembre-se de esquecer, todos precisam disso! Desencana!

DAFNE: - É... quem sabe ano que vem... ano que vem penso nisso.






 

musique machin

Música eletrônica e Aleatoriedade mallarmaica... rs
http://www.plural.com.br/textos/musialea.htm


 

Massive Attack


Este mês em SP.


 

O "Sr. B".

Se quiser conhecer mais tipinhos londrinenses (e esse é veterano!), leia mais no "leia mais".
Trata-se de um... "travesti"?... de 72 anos.




Leia mais »



 

oh, butoh-man... one more time


Talvez o cara mais suspeito pra falar de dança butoh na face da terra seja José, mas... voilá:
Sabe quando seu personagem de quadrinhos mais admirado salta das páginas chapadas para a tridimensionalidade do cinema? Mais ou menos isso. Só conhecia butoh pelas fotos, o que já me afetavam com grande violência. A barca do inferno em fotos p&b era composta de Tatsumi Hijikata, Kazuo Ohno (os fundadores da “dança das trevas”, na tradução), Yoshito Ohno, Ko Murobushi, Carlota Ikeda etc etc. Bando de fantasmas nus de um Oriente desorientado, ou, como queriam os fundadores, uma dança do “corpo-morto”. Próximo do que Artaud queria com o Corpo-sem-Órgãos, penso eu.


A 1a encenação do Butoh no Japão, déc. de 60: Yoshito Ohno, filho do Kazuo, simula sexo com uma galinha. Pq a galinha? Com a cabeça decepada, o corpo-morto galináceo continua a saltar e a dançar, “non-stop”, sem a interferência do cérebro. Puro frenesi de músculo-eletricidade nijinskiana. Deixa eu parar senão prolongo.

Fui ver Tadashi Endo, amigo e aprendiz de Kazuo Ohno, no Sesc-belenzinho. Um monstro fantástico no palco, fabulando uma dança dadá. O espetáculo chamava-se “butoh-ma”. “Ma”, no budismo, ou “mu”, em japonês, significa “vazio”, “nada”, o que é diferente da concepção de “falta” ou “carência” ocidental. Trata-se de um pleno “estar-entre” polaridades, como um rio-fluxo de Heráclito, nunca atingindo harmonia nem passividade final. Não se sabe a origem nem o fim do córrego; deve-se retirar forças pelo meio, “entre”.
Gostei bastante. Inesquecível. Nunca havia visto um espetáculo de butoh. Ah, no final, Tadashi Endo dança “ne me quite pas” com um belo vestido nipônico. E uma rosa como companheira.
non stop.



 

da educação

"educado, o sangue
apaga a luz
ao sair"

Carpinejar



 

desvarios londrinenses

Passo quarentenas de abstinências em SP, portanto sempre amo voltar aos carnavais noturnos de Londrina. Festas amigos música dançarinos(as) com líquidos graves no estômago etc.
Festas na “Casa da Dani” impregnam o solo encharcado das minhas amnésias alcoólicas com um “não acabe não acabe” mas sempre amanhece e às vezes esquece-se que já é dia e tudo ainda gira oscila um pião cansado que nada pode fazer senão continuar dançando e.
Vômitos e recomeços.
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Falei pra Gabi: Dee Lite é uma trilha infalível em festas. Assim como “sweat dreams” do Eurythmics.
Adoro reecontrar amigos mesmo que não esteja em plenas condições de.
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Claudinho, na bienal de SP terá uma moça (esqueci o nome)que comentará os quadrinos como estratégia interdisciplinar de ensino, uma mestre pela USP, algo assim. Enfim, talvez você já a conheça. Li na Bravo! deste mês. Qualquer coisa, www.bienaldolivrosp.com.br




 

animation

Aeon Flux.



Talvez seja o melhor desenho animado que eu tenha visto na vida. É uma cria de Peter Chung, do começo da década de 90. Aeon é uma anti-heroína que faz trabalhos sujos de toda espécie. Trevor, seu suposto “inimigo”, é o governante de uma cidade futurista, um “organismo” vivo meio metal meio areia desértica.


Trevor ama Aeon, assim como a odeia. Aeon é uma anárquica infiel a si mesma, que no fundo também “ama” Trevor a seu modo. É um desenho repleto de fetiches, em todos os sentidos.




 

londrina

Férias em Londrina. Começando bem: curso com o Giacóia na UEL. Muito, muito denso. E ótimo.


 

a Carlão suicidado

-ou Ao Ocidente Desdentado-

O parto do anti-Buda em ti
É um cadáver-bomba
Inchado de pavor.

Explodiu-se a falência da vida
No salto-em-branco,
cansaço palhacêutico.

Tudo é nervura rompida.
“Tudo, aqui, é osso-e-dente”,
como você diz.

CORO:
ó cerimônia da coroação carbônica,
Desce do ventre das moscas
O cardume de vermes hermafroditas.

Não abandonai o corpo-sem-órgãos
No silêncio de zinco.
Convocai a fermentação
de cal e lótus.

Sortilégio in-orgânico.


 
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