Ou “CONTRA-FUROR UTERINO”
MAÍRA: Basta! Não posso ir além,... desculpe, Biga. Estou seca. Seca.
ABIGAIL: ... Eu... porra, Maíra, você and...
MAÍRA, interrompendo: Um sonho a noite passada. Me perturba e persiste em vigília. Um sonho pedófilo. Pode? Devo sentir-me culp...
ABIGAIL, interrompendo: - Não. É “só” um sonho. Que pode pesar mais que as horas aqui, despertas. Falo de seus desejos. Mas não... Maíra, esquece o remorso.
(Se abraçam. Maíra beija o lóbulo da amiga, e sussurra)
MAÍRA: Eu... no sonho, tá?... encontrei a criança sedutora numa farmácia abandonada, vazia. Branquíssima, hiper-iluminada. À cegueira. Peguei algumas anfetaminas, enfiei no bolso, tomei duas, dei um gole na cerveja e... a criança, que estava num corredor muito ao longe, agora fazia presença ao lado do meu quadril. Uma harpia. Meio besta, meio gente. As metades oscilavam. Era de uma indizível beleza. Nos tocávamos. Uma transa rara. Eu não reconhecia mais meu corpo. Nem onde terminava o dela e começava o meu.
(Toca o telefone)
MAÍRA: Oi...? OI!... Alô! Ah, oi, Dafne! Como você tá? Peraí... ela tá aqui, sim.
(Sussurra para Abigail, tapando com a palma da mão o telefone): Ela não parece muito legal... a voz perturbada, e... enfim, fale com ela.
ABIGAIL: Oi Mãe! Tsc... desligou! Deve ser um daqueles dias graves. Bom... nada grave. Mas vou pra casa, de qualquer forma. Talvez ela me queira por perto, mesmo sem querer que eu interfira em suas loucuras. Minha mãe age estranhamente, às vezes... mas o curioso é que em determinados períodos, sabe? Quase uma vez por ano, algo assim. Peculiar, não?
(Longo silêncio... se beijam.)
Publicado em 22 de maio de 2004 às 02:48 por jose
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te beijo.