cuco machine

Do poeta-dançarino

O bailarino derrama potência por onde percorre a clarividência calcada no mais profundo ermo.
O bailarino transborda um excesso que não suporta contorno de forma alguma. Daí o esgarçamento.
O bailarino sacrifica os ossos em nome da pura cartilagem. Só pode dançar em desequilíbrio, bêbado.
O bailarino convoca o Boticário, o triturador de drogas, e lhe faz encomendas raras.
É o instante da evanescência rara, posta à prova.
Toda beleza deverá ser violada, em nome de Rrose Sélavy.
Certas “coisas” voltam, em tempos de delírio coletivo. É o sinal de que uma violência singular está oferecendo-se como uma coreografia inevitável.

Publicado em 25 de maio de 2004 às 06:36 por jose

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